Quando nos pedem, na escola, para ler um livro de Machado de Assis, nem todos nos alegramaos com isso. Talvez porque sabemos que ele é exageradamente descritivo, aplica insistentemente os floreios linguísticos que deixam o livro três vezes mais longo e usa aquelas palavras - queridas palavras - que nos obrigam a abrir o dicionário a cada cinco parágrafos.
Mas isso, amigos, é o que chamamos, de fato, de estudar literatura. Machado de Assis é um ícone rrespeitado na cultura brasileira justamente devido ao fato de a sua obra ter essas características tão marcantes. Para começo de conversa, todos os pontos citados sobre sua escrita já identificam seu estilo pessoal, como autor. Várias pessoas se perguntam o que se entende por estilo, e o melhor exemplo para explicar é Machado, porque o tem muito marcante.
Além disso, sua forma de escrever, enfeitada, precisa e repleta de figuras de linguagem, são o que identifica sua obra como peça importante da literatura brasileira, já que não se tem notícia de um escritor que tenha se tornado um Imortal da ABL sem ter contribuído em nada com o acervo cultural... A contribuição de Machado de Assis é justamente esta: seu legado de expressões, figuras e pensamentos exaltados, que não o deixam ser classificado como simplesmente romântico ou realista. Quando nos deparamos com autores não classificáveis, logo sabemos que trata-se de um autor completo.
**É claro que eu não li a obra inteira de Machado de Assis, por isso a base para este texto é de apenas alguns livros e algumas aulas de literatura. =)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Os gregos não rimam
Já é um fato mais do que sabido e explorado que a Grécia Antiga é uma das maiores colaboradoras da cultura mundial, tendo sido gregos muitos importantes cientistas, filósofos e artistas de vários tipos. O que há de interessante para esta blog vem a seguir.
O grego, língua-pai do português (considero o latim como língua-mãe) teve praticamente todo o seu acervo poético em obras épicas, ou seja, longos poemas narrando aventuras e façanhas de heróis, como a obra de Homero, por volta do século VII a.C. Depois dele vieram os renomados dramaturgos Sófocles e Ésquilo (séc. V), cujos roteiros também tinham uma sonoridade poética.
A diferença, porém, é que a poesia grega não empregava rimas, e se ritmava com base na alternância de versos longos e curtos. Isto acontecia porque, para mentes tão evoluídas como a dos gregos, as rimas eram um recurso para melhor assimilar e decorar a obra, e eles NÃO PRECISAVAM DISSO! A rima não era usada porque os intelectuais simplesmente não o achavam necesária, e até consideravam vulgar.
A rima foi introduzida mais tarde pelos romanos (de língua latina - lembra-se?), mas isto é assunto para outra postagem, em um outro dia.
Fontes auxiliares: www.brasilescola.com; www.suapesquisa.com; www2.academia.com.
O grego, língua-pai do português (considero o latim como língua-mãe) teve praticamente todo o seu acervo poético em obras épicas, ou seja, longos poemas narrando aventuras e façanhas de heróis, como a obra de Homero, por volta do século VII a.C. Depois dele vieram os renomados dramaturgos Sófocles e Ésquilo (séc. V), cujos roteiros também tinham uma sonoridade poética.
A diferença, porém, é que a poesia grega não empregava rimas, e se ritmava com base na alternância de versos longos e curtos. Isto acontecia porque, para mentes tão evoluídas como a dos gregos, as rimas eram um recurso para melhor assimilar e decorar a obra, e eles NÃO PRECISAVAM DISSO! A rima não era usada porque os intelectuais simplesmente não o achavam necesária, e até consideravam vulgar.
A rima foi introduzida mais tarde pelos romanos (de língua latina - lembra-se?), mas isto é assunto para outra postagem, em um outro dia.
Fontes auxiliares: www.brasilescola.com; www.suapesquisa.com; www2.academia.com.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Poesia: Passos
Passos que passeiam
Passos que passam
Passos passageiros
Eu penso em passos
Passo nesse espaço
Pisam no compasso
Passos que se atrasam
Peço pra esses passos
Passe o meu passado
Peço uma passagem
Passa um passarinho:
Posso saber onde passa?
Penso que não posso
Passo pela sala
Sopro sobre o pasto
Passo a passarela
Só sigo maus passos
Eu ouço passos
Ela é minha, espero que tenham gostado!
Até breve!
Passos que passam
Passos passageiros
Eu penso em passos
Passo nesse espaço
Pisam no compasso
Passos que se atrasam
Peço pra esses passos
Passe o meu passado
Peço uma passagem
Passa um passarinho:
Posso saber onde passa?
Penso que não posso
Passo pela sala
Sopro sobre o pasto
Passo a passarela
Só sigo maus passos
Eu ouço passos
Ela é minha, espero que tenham gostado!
Até breve!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Tá liberado!
Estamos inaugurando um novo e sensacional conceito linguístico, a partir de um curioso livro aprovado pelo MEC, no qual nos desobrigamos do uso correto da língua portuguesa. [leia a notícia: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2011/05/12/livro-adotado-pelo-mec-defende-falar-errado.jhtm]
Até hoje, havia o conceito de norma culta (formal) e popular (informal). Com o advento dessa sensacional inovação, passam a existir o "certo" e o "errado-que-também-está-certo". Isso, leitor, significa que todas as aulas de português que você já teve na vida foram uma completa perda de tempo, visto que é correto demolir todo o conceito de concordância no qual se fundamentou nosso idioma, simplesmente porque algumas pessoas usam essa forma de expressão. Acho que isto merece uma análise resumida: o fato de se complementar um sujeito no plural com um verbo no singular não quer dizer que você está falando errado. Brilhante. Vai que cola na Fuvest, né...
Essa nova abordagem do certo/ errado na língua pode se dever a dois fatores:
a) Supervalorização da língua inglesa: tendo como base a frase "yes, we can!", oficializou-se em certas mentes escritoras de livros didáticos uma uniformidade das flexões de tempos verbais, podendo a frase supracitada ser traduzida como "sim, nós pode!", o que é promissor, para que a língua seja um instrumento mais simples, de caráter democrático, onde ganha a forma de expressão usada com mais frequência;
b)Vitória da defesa social sobre o ensino secular: o cidadão não pode sofrer "discriminação linguística" só porque desconhece os preceitos mais básicos do uso de sua língua materna, ou seja, é mais facilmente aceitável que os professores de língua portuguesa se prestem a papéis desimportantes e antiquados, até desnecessários, nas salas de aula do que permitir que alguém, seja por falta de oportunidade ou de interesse, sofra preconceito por não falar ou escrever do jeito que a "ditadura da escola" impõe.
Pessoalmente, eu afirmo que esta postura diante da educação não é o que levará à igualdade social nem à resolução de problemas na estrutura educacional do país. Errros existem e devem ser corrigidos, e não adotados como verdades.
Até hoje, havia o conceito de norma culta (formal) e popular (informal). Com o advento dessa sensacional inovação, passam a existir o "certo" e o "errado-que-também-está-certo". Isso, leitor, significa que todas as aulas de português que você já teve na vida foram uma completa perda de tempo, visto que é correto demolir todo o conceito de concordância no qual se fundamentou nosso idioma, simplesmente porque algumas pessoas usam essa forma de expressão. Acho que isto merece uma análise resumida: o fato de se complementar um sujeito no plural com um verbo no singular não quer dizer que você está falando errado. Brilhante. Vai que cola na Fuvest, né...
Essa nova abordagem do certo/ errado na língua pode se dever a dois fatores:
a) Supervalorização da língua inglesa: tendo como base a frase "yes, we can!", oficializou-se em certas mentes escritoras de livros didáticos uma uniformidade das flexões de tempos verbais, podendo a frase supracitada ser traduzida como "sim, nós pode!", o que é promissor, para que a língua seja um instrumento mais simples, de caráter democrático, onde ganha a forma de expressão usada com mais frequência;
b)Vitória da defesa social sobre o ensino secular: o cidadão não pode sofrer "discriminação linguística" só porque desconhece os preceitos mais básicos do uso de sua língua materna, ou seja, é mais facilmente aceitável que os professores de língua portuguesa se prestem a papéis desimportantes e antiquados, até desnecessários, nas salas de aula do que permitir que alguém, seja por falta de oportunidade ou de interesse, sofra preconceito por não falar ou escrever do jeito que a "ditadura da escola" impõe.
Pessoalmente, eu afirmo que esta postura diante da educação não é o que levará à igualdade social nem à resolução de problemas na estrutura educacional do país. Errros existem e devem ser corrigidos, e não adotados como verdades.
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