Estamos inaugurando um novo e sensacional conceito linguístico, a partir de um curioso livro aprovado pelo MEC, no qual nos desobrigamos do uso correto da língua portuguesa. [leia a notícia: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2011/05/12/livro-adotado-pelo-mec-defende-falar-errado.jhtm]
Até hoje, havia o conceito de norma culta (formal) e popular (informal). Com o advento dessa sensacional inovação, passam a existir o "certo" e o "errado-que-também-está-certo". Isso, leitor, significa que todas as aulas de português que você já teve na vida foram uma completa perda de tempo, visto que é correto demolir todo o conceito de concordância no qual se fundamentou nosso idioma, simplesmente porque algumas pessoas usam essa forma de expressão. Acho que isto merece uma análise resumida: o fato de se complementar um sujeito no plural com um verbo no singular não quer dizer que você está falando errado. Brilhante. Vai que cola na Fuvest, né...
Essa nova abordagem do certo/ errado na língua pode se dever a dois fatores:
a) Supervalorização da língua inglesa: tendo como base a frase "yes, we can!", oficializou-se em certas mentes escritoras de livros didáticos uma uniformidade das flexões de tempos verbais, podendo a frase supracitada ser traduzida como "sim, nós pode!", o que é promissor, para que a língua seja um instrumento mais simples, de caráter democrático, onde ganha a forma de expressão usada com mais frequência;
b)Vitória da defesa social sobre o ensino secular: o cidadão não pode sofrer "discriminação linguística" só porque desconhece os preceitos mais básicos do uso de sua língua materna, ou seja, é mais facilmente aceitável que os professores de língua portuguesa se prestem a papéis desimportantes e antiquados, até desnecessários, nas salas de aula do que permitir que alguém, seja por falta de oportunidade ou de interesse, sofra preconceito por não falar ou escrever do jeito que a "ditadura da escola" impõe.
Pessoalmente, eu afirmo que esta postura diante da educação não é o que levará à igualdade social nem à resolução de problemas na estrutura educacional do país. Errros existem e devem ser corrigidos, e não adotados como verdades.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
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