Pesquisar este blog

sábado, 29 de maio de 2010

Literatura comentada - Senhora

No romance de José de Alencar [essencial, por exemplo, para a Fuvest], Aurélia, na prática, compra de volta o noivo que tinha perdido para uma moça por causa do dote. Feito o casamento, ela controla as atitudes do marido, trata-o como a mercadoria em que ele se tornou e vive com ele uma felicidade inventada, exibindo-o para as pessoas como seu novo artigo de luxo. Isso foge à tradição da época, em que a mulher era submissa e não tinha voz na sociedade. Há dois pontos que merecem observação:
1) Aurélia passa a ser valorizada, não pelo noivo, Fernando Seixas, mas pela sociedade, somente por causa da fortuna herdada, o que significa que a pessoa pode ter as qualidades que quiser se puder pagar para mostrá-las;
2) O dinheiro disputa com o amor a posição de honra na história, já que, com a riqueza, Aurélia passa a dar mais importância ao fato de ter comprado o marido do que ao sentimento que continua tendo por ele.

Por que é uma obra romântica?
A literatura romântica conta com vários itens próprios do movimento, dos quais estão presentes em “Senhora”:
- Idealização: grande exaltação de certas qualidades (ou mesmo defeitos);
- Byronismo: estilo oriundo do inglês Lord Byron, que caracteriza um estilo boêmio, entregue aos prazeres, próprios da burguesia descrita nos romances. Byron é, inclusive, citado em algumas passagens do livro de Alencar;
- Egocentrismo: o personagem apresenta um olhar voltado para si, para seus sentimentos e suas vontades, com características do narcisismo (Narciso, mit. Grega).

[A parte em itálico foi retirada e adaptada de http://prof.saulo.vilabol.uol.com.br]

Nenhum comentário: