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terça-feira, 14 de junho de 2011

Os gregos não rimam

Já é um fato mais do que sabido e explorado que a Grécia Antiga é uma das maiores colaboradoras da cultura mundial, tendo sido gregos muitos importantes cientistas, filósofos e artistas de vários tipos. O que há de interessante para esta blog vem a seguir.
O grego, língua-pai do português (considero o latim como língua-mãe) teve praticamente todo o seu acervo poético em obras épicas, ou seja, longos poemas narrando aventuras e façanhas de heróis, como a obra de Homero, por volta do século VII a.C. Depois dele vieram os renomados dramaturgos Sófocles e Ésquilo (séc. V), cujos roteiros também tinham uma sonoridade poética.
A diferença, porém, é que a poesia grega não empregava rimas, e se ritmava com base na alternância de versos longos e curtos. Isto acontecia porque, para mentes tão evoluídas como a dos gregos, as rimas eram um recurso para melhor assimilar e decorar a obra, e eles NÃO PRECISAVAM DISSO! A rima não era usada porque os intelectuais simplesmente não o achavam necesária, e até consideravam vulgar.
A rima foi introduzida mais tarde pelos romanos (de língua latina - lembra-se?), mas isto é assunto para outra postagem, em um outro dia.

Fontes auxiliares: www.brasilescola.com; www.suapesquisa.com; www2.academia.com.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poesia: Passos

Passos que passeiam
Passos que passam
Passos passageiros
Eu penso em passos

Passo nesse espaço
Pisam no compasso
Passos que se atrasam
Peço pra esses passos
Passe o meu passado
Peço uma passagem

Passa um passarinho:
Posso saber onde passa?
Penso que não posso

Passo pela sala
Sopro sobre o pasto
Passo a passarela
Só sigo maus passos
Eu ouço passos


Ela é minha, espero que tenham gostado!
Até breve!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tá liberado!

Estamos inaugurando um novo e sensacional conceito linguístico, a partir de um curioso livro aprovado pelo MEC, no qual nos desobrigamos do uso correto da língua portuguesa. [leia a notícia: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2011/05/12/livro-adotado-pelo-mec-defende-falar-errado.jhtm]
Até hoje, havia o conceito de norma culta (formal) e popular (informal). Com o advento dessa sensacional inovação, passam a existir o "certo" e o "errado-que-também-está-certo". Isso, leitor, significa que todas as aulas de português que você já teve na vida foram uma completa perda de tempo, visto que é correto demolir todo o conceito de concordância no qual se fundamentou nosso idioma, simplesmente porque algumas pessoas usam essa forma de expressão. Acho que isto merece uma análise resumida: o fato de se complementar um sujeito no plural com um verbo no singular não quer dizer que você está falando errado. Brilhante. Vai que cola na Fuvest, né...
Essa nova abordagem do certo/ errado na língua pode se dever a dois fatores:
a) Supervalorização da língua inglesa: tendo como base a frase "yes, we can!", oficializou-se em certas mentes escritoras de livros didáticos uma uniformidade das flexões de tempos verbais, podendo a frase supracitada ser traduzida como "sim, nós pode!", o que é promissor, para que a língua seja um instrumento mais simples, de caráter democrático, onde ganha a forma de expressão usada com mais frequência;
b)Vitória da defesa social sobre o ensino secular: o cidadão não pode sofrer "discriminação linguística" só porque desconhece os preceitos mais básicos do uso de sua língua materna, ou seja, é mais facilmente aceitável que os professores de língua portuguesa se prestem a papéis desimportantes e antiquados, até desnecessários, nas salas de aula do que permitir que alguém, seja por falta de oportunidade ou de interesse, sofra preconceito por não falar ou escrever do jeito que a "ditadura da escola" impõe.
Pessoalmente, eu afirmo que esta postura diante da educação não é o que levará à igualdade social nem à resolução de problemas na estrutura educacional do país. Errros existem e devem ser corrigidos, e não adotados como verdades.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Romântico??

Já que o Dia dos Namorados está próximo, eu vou explicar uma coisa: a palavra romântico é muito perigosa.
Siga o raciocínio: primeiramente, romantismo não é característica de ser humano; é o nome de um movimento literário. Até aí pode parecer somente um caso de ambiguidade, mas não: o que se chama de romântico no dia a dia tem outro nomezinho. Em grego, existem três palavras para designar amor: Agape, que é o amor divino, total, sublime, imensurável, cuja única fonte é Deus. É o amor do Criador pelas suas criaturas. Filia {phileo), que é o amor existente entre pais e filhos, irmãos, grandes amigos, etc, inclusive usado em palavras como a filosofia [amor pelo saber]. E o nosso foco, Eros: o amor entre homem e mulher.
Isso significa que, o que chamamos de romântico, na verdade, deveria se chamar erótico, ou seja, ligado a Eros. Mas então encontramos outro problema. O que é chamado de erótico lembra sacanagem. As pessoas nem dizem a palavra "erótico" na frente das crianças! Mas o que eu estou dizendo é verdade, tanto que há um livro chamado "O Erotismo" [Francesco Alberoni] cujo assunto são os relacionamentos entre os sexos, e não propriamente as relações sexuais, como todos pensam.
Ora, então qual é o nome dado para o que realmente é sacanagem? Não pode ser outro, senão Pornografia. As pessoas usam as palavras erotismo e pornografia como se fossem sinônimos. Ainda bem que agora nós sabemos que são coisas diferentes...
Portanto, cuidado ao se descrever como uma pessoa romântica. Estude as características do romantismo (algumas já citadas neste blog) e veja se realmente você se enquadra neste perfil, antes de falar barbaridades por aí.
Em breve, comentários sobre Dom Casmurro [Machado de Assis]

sábado, 29 de maio de 2010

Literatura comentada - Senhora

No romance de José de Alencar [essencial, por exemplo, para a Fuvest], Aurélia, na prática, compra de volta o noivo que tinha perdido para uma moça por causa do dote. Feito o casamento, ela controla as atitudes do marido, trata-o como a mercadoria em que ele se tornou e vive com ele uma felicidade inventada, exibindo-o para as pessoas como seu novo artigo de luxo. Isso foge à tradição da época, em que a mulher era submissa e não tinha voz na sociedade. Há dois pontos que merecem observação:
1) Aurélia passa a ser valorizada, não pelo noivo, Fernando Seixas, mas pela sociedade, somente por causa da fortuna herdada, o que significa que a pessoa pode ter as qualidades que quiser se puder pagar para mostrá-las;
2) O dinheiro disputa com o amor a posição de honra na história, já que, com a riqueza, Aurélia passa a dar mais importância ao fato de ter comprado o marido do que ao sentimento que continua tendo por ele.

Por que é uma obra romântica?
A literatura romântica conta com vários itens próprios do movimento, dos quais estão presentes em “Senhora”:
- Idealização: grande exaltação de certas qualidades (ou mesmo defeitos);
- Byronismo: estilo oriundo do inglês Lord Byron, que caracteriza um estilo boêmio, entregue aos prazeres, próprios da burguesia descrita nos romances. Byron é, inclusive, citado em algumas passagens do livro de Alencar;
- Egocentrismo: o personagem apresenta um olhar voltado para si, para seus sentimentos e suas vontades, com características do narcisismo (Narciso, mit. Grega).

[A parte em itálico foi retirada e adaptada de http://prof.saulo.vilabol.uol.com.br]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fernando Pessoas [sim, no plural]

A poesia portuguesa encontra um de seus maiores mestres em Fernando Pessoa, poeta moderno. Aliás, toda essa modernidade não coube dentro de um só poeta, e ele se desdobrou numa plêiade inteira.
Fernando Pessoa criou poetas paralelos, chamados de heterônimos que, diferentes de pseudônimos, não são máscaras por trás das quais se esconde um artista enrustido. São nomes criados para designar pessoas diferentes, com outras personalidades, outros estilos, outra história de vida, que evidentemente Pessoa trazia dentro de si e precisou expressar. Acho que toda escola de Ensino Médio ensina isso, mas não custa reforçar, especialmente se você, assim como eu, vai prestar vestibular para 2011.
Os heterônimos de Fernando Pessoa sâo Alberto Caeiro [1889 - o mestre de todos os heterônimos: O "ÁRCADE" (retirou-se para o campo)], Álvaro de Campos [1890 - engenheiro - O FUTURISTA. Famoso pelo poema (lindíssimo) "Tabacaria"], Ricardo Reis [1887 - médico - O SENSÍVEL E SIMPLES].
E, claro, temos o Fernando em pessoa [=D], que descrevo como genial tomando por base a teoria de uma grande amiga minha:
"Pessoas de inteligência média discutem fatos; pessoas muito inteligentes discutem idéias; pessoas geniais discutem pessoas imaginárias" [Juliana P. Silva]
Só a genialidade de Fernando Pessoa poderia tornar suas pessoas imaginárias tão importantes para a literatura...

sábado, 22 de maio de 2010

Presença de Platão

A corrente chamada de neoplatonismo afirma o dualismo, não só do ser humano como de cada ser, animado ou não, presente no mundo. A começar por "mundo": há o chamado "mundo das idéias", que é um plano de seres perfeitos, divinos, e que só podem ser imaginados, mas não vistos. E há o nosso mundo, das coisas tangíveis, mas que é um mero espectro daquele outro plano, sendo este um mundo inferior ao dos ideais. Em um estudo mais profundo é também mostrada a ligação do mundo real como somente corpóreo e o ideal como o dos sentimentos, mas isso não nos é interessante para esta postagem.
O que eu vim dizer sobre o neoplatonismo é que, durante a nossa vida escolar (e até acadêmica, em alguns casos) somos convidados a relacionar os mais variados assuntos com esse conceito filosófico. A novidade é: TUDO pode ser relacionado.
Tive a oportunidade de experimentar a ligação com obras românticas, poesias clássicas e modernas, músicas, mangás, programas de TV... sempre há uma relação, até porque o neoplatonismo engloba tudo o que há no mundo. Lembre-se disso: se você não encontrar ligação, invente uma. Pelo menos ninguém dirá que você não é criativo.

Literatura musical p. 1 - Chopis Centis

Outro dia assisti a uma estimulante palestra sobre educação financeira, e o professor que a ministrou disse que a diferença entre a Classe Alta e a Classe Média era que, enquanto a primeira investe em bens que dão retorno em dinheiro, a segunda faz dívidas para enquadrar-se em um padrão de vida mais alto, e como gasta para isso, não sai da classe média. Até aí, nada de literatura. O caso é que os Mamonas Assassinas me disseram isso muito antes do palestrante, e eu não notei.
Na música "Chopis Centis", o eu-lírico (personagem que fala na letra) é, supostamente, um pedreiro, que descobre o mundo do consumo. Em dado momento ele diz:
"A minha felicidade é um crediário das Casas Bahia".
Ora, está claro: ele descobriu a compra a crédito e agora pode comprar itens que o elevarão a um novo nível social, mas seu nível financeiro está igual ou pior, afinal, ele está gastando um dinheiro que ainda nem veio!
Quando eu digo que a literatura está em tudo as pessoas duvidam... =P

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lebenslang Grünweiß

Pense nos hinos de futebol que você conhece. Eles não são "poéticos", simplesmente exaltam o time, às vezes de forma grosseira. No máximo o do Grêmio chega um pouco a tocar o coração (e olha que eu sou São Paulo). Mas o hino do alemão Werder Bremen é uma obra de arte! Pra começar, o título (que também é o título dessa postagem) significa "eterno alviverde". O time declara para a torcida a sua gratidão, faz uma espetacular acolhida no estádio, etc:
"Werder Bremen, lebenslang grünweiß.
Wir gehör`n zusammen, ihr seid cool und wir sind heiß."
"Werder Bremen, eterno alviverde.
Nós nos pertencemos, vocês são ótimos e nós somos calorosos."
Digno de um verdadeiro poeta.
Se tiver tempo, sinta a melodia
http://www.myvideo.de/watch/1510412/Lebenslang_Gruen_Weiss

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Trovadorismo cotidiano

Aprendemos no 1º ano médio que o trovadorismo é um estilo literário medieval; e sozinhos concluímos que, depois do classicismo, ele deixou de existir, certo? NÃO. Ele se manifesta quase diariamente, e não é identificado como trovadorismo. Por exemplo: duas torcidas enlouquecidas se provocando durante um jogo de futebol cantam as velhas cantigas de escárnio; o vendedor de pamonha que passa na sua rua com o puro creme do milho verde, na maioria das vezes, tem um novo tipo neotrovador de cantiga, que poderia ser classificado como "cantiga de publicidade". O trovador ainda vive, e vive na ativa!!!